Poe
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Da janela do meu quarto, no bairro Washington Hill, em Baltimore, vê-se a cúpula do antigo hospital onde há 160 anos morreu Edgar Allan Poe (19 de janeiro de 1809 – 7 de outubro de 1849). Aqui, e em outras cidades onde Poe viveu, vários eventos comemoram o bicentenário de seu nascimento, mas é este velho prédio que, para mim, mantém a memória de Poe sempre viva, paradoxal e cotidianamente. O prédio e, claro, os corvos — que, com a chegada do outono, começam a se reunir no meu telhado, aproveitando-se do calor emitido por uma velha chaminé. Sendo pesados, seus movimentos soam, às vezes, como passos humanos. Sendo uma vizinhança tipicamente baltimoreana, toda suspeita é, por um segundo, justificada. Um ladrão? Um fantasma? Mas os culpados logo se revelam. Considerando-se as alternativas, os corvos são bem vindos — um sinal de que está tudo tranqüilo (embora uma tranqüilidade inquieta, tão bem capturada por Poe).

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Embora eu desconhecesse este corvo, o de Poe, quando li o poema pela primeira vez como adolescente no Brasil, não me faltava imaginação para imaginar o pássaro. Afinal, o sentimento que Poe capturava é universalmente humano, independente da fauna ornitológica. Poema brilhante (se é que se pode usar este adjetivo tão lucífero para o sombrio "mestre do macabro"), The Raven contou com traduções de dois dos nossos maiores escritores de língua portuguesa, Machado de Assis e Fernando Pessoa.

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Leia (e compare) o original em inglês e as versões de Machado de Assis e de Fernando Pessoa.

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